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Fungo provocou surto e bactéria causou casos graves

Publicada em: 11/11/2025 10:23 -

Investigação confirma que fungo respondeu pelo surto de síndrome respiratória e bactéria foi detectada em amostra de água e em duas profissionais

O surto de síndrome respiratória registrado no Hospital Santa Rita, em Vitória, foi causado por dois agentes diferentes: o fungo Histoplasma capsulatum e a bactéria Burkholderia cepacia. A confirmação foi apresentada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) nesta segunda-feira (10), após conclusão da investigação epidemiológica e laboratorial.

Os exames foram conduzidos pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/ES), com apoio de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo o relatório final, o fungo foi o agente responsável pelo surto principal, com 32 casos confirmados e quatro casos de soroconversão (quando o organismo começa a produzir anticorpos após exposição ao agente).

O Histoplasma capsulatum é um fungo associado a ambientes com presença de fezes de aves e morcegos. Ele pode provocar infecções respiratórias, principalmente em locais fechados e mal ventilados.

A transmissão ativa e recente foi comprovada por técnicas laboratoriais de alta complexidade, entre elas o exame sorológico Western Blot, que confirmou os casos entre pacientes e profissionais do hospital.

De acordo com a Sesa, os resultados obtidos mostram que o fungo foi o responsável pelo surto de síndrome respiratória detectado na unidade.

Bactéria foi encontrada em amostra de água

Além do fungo, a investigação identificou a presença da bactéria Burkholderia cepacia, considerada um patógeno oportunista em ambientes hospitalares. Ela foi detectada em amostra de água de um bebedouro do hospital e em análises de duas profissionais de saúde.

A bactéria tem potencial para causar quadros mais graves em pessoas vulneráveis, especialmente em pacientes internados.

 Técnicas utilizadas ampliaram precisão do diagnóstico

O diretor do Lacen/ES, Rodrigo Rodrigues, explicou durante a apresentação que a investigação utilizou diferentes metodologias laboratoriais, como RT-qPCR, culturas fúngicas e bacterianas e sequenciamento metagenômico, ampliando a capacidade de rastrear os agentes.

O secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, afirmou que o resultado só foi possível devido à integração entre vigilância, assistência e laboratório. “Concluímos, com rigor técnico e transparência, a etapa laboratorial e epidemiológica da investigação do surto, confirmando a atuação de dois agentes distintos”, disse.

O subsecretário de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, reforçou que o monitoramento constante dos casos foi fundamental para conter o evento.

Investigações administrativas continuam

A etapa laboratorial está encerrada, mas a Sesa informou que as investigações administrativas permanecem em andamento para identificar como os patógenos entraram e se disseminaram no ambiente hospitalar.

Nos próximos 60 dias, estão previstas novas coletas de água e acompanhamento dos casos que ainda estão dentro da janela diagnóstica.

A Sesa afirma que medidas estruturantes serão adotadas caso sejam identificadas falhas no ambiente assistencial. “A transparência continuará sendo nosso compromisso. As medidas necessárias serão adotadas para garantir segurança assistencial e prevenção de novos eventos”, disse Hoffmann.

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